APCD - Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas

Mais da metade da população de 16 a 25 anos tem HPV, indica pesquisa

Homens e mulheres podem se vacinar contra a doença pelo Sistema Único de Saúde

Segundo uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, dos 7.586 participantes, 2.669 foram analisados para tipagem de Papiloma Vírus Humano (HPV). Destes, a prevalência estimada da doença foi de 54,6 %, sendo 38,4% o tipo de alto risco para o desenvolvimento de câncer. Junto com o Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre, a pasta lançou dados preliminares do projeto POP-Brasil-Estudo Epidemiológico sobre a Prevalência Nacional de Infecção pelo HPV.A população analisada foi de homens e mulheres com idades entre 16 e 25 anos.

A diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken, explica a importância desse tipo de estudo para conhecer a prevalência da doença. "Até então, não havia estudos de prevalência nacional do HPV que possam medir o impacto da vacina no futuro. O sucesso da vacinação deve ser monitorado, não somente em termos de cobertura, mas principalmente em termos de efetividade na redução da infeção pelo HPV", afirmou Adele.

As relações sexuais são a principal forma de transmissão do vírus e a vacina contra o HPV é a principal forma de prevenção do câncer do colo de útero. O estudo aponta ainda que 16,1% dos jovens tem uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) prévia ou apresentaram resultado positivo no teste rápido para HIV ou sífilis. Os dados finais deste levantamento serão divulgados no relatório que será apresentado ao Ministério da Saúde em abril de 2018.

A pesquisa POP-Brasil foi realizada em 119 Unidades Básicas de Saúde e um Centro de Testagem e Aconselhamento nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal. O estudo identificou os fatores demográficos, socioeconômicos, comportamentais e regionais associados à ocorrência do HPV em mulheres e homens entre 16 e 25 anos de idade, usuários do SUS.

No estudo, 5.812 mulheres e 1.774 homens participaram, sendo a média de idade de 20,6 anos. A maioria era composta de indivíduos que se autodeclararam pardos (56,6 %), seguido de brancos (23,9 %) e negros (16,7 %). Apenas 111 se autodeclararam amarelos (1,7 %) e 74 indígenas (1,2 %).

A maioria dos entrevistados declarou estar em uma relação afetiva estável, sendo que 41,9 % estavam namorando e 33,1% casados (ou morando com o parceiro); o restante estava sem relacionamento, sendo solteiro (24,2 %) ou divorciado (0,7 %).

Dos jovens entrevistados, 15,6 % referiram fumar cigarros, 70,8 % relataram já terem feito uso de bebidas alcoólicas e 27,1 % de drogas, ao longo da vida. A droga mais utilizada foi a maconha (23,7 %). A média de idade de início da atividade sexual foi de 15,3 anos sendo 15,4 anos para mulheres e 15 anos para homens.

Em relação à escolaridade, 37,9 % dos jovens declararam estar estudando; 28,3 % interromperam os estudos e 33,8 % os concluíram. A população que compôs o POP-Brasil foi, majoritariamente, da classe C (55,6 %) ou D-E (26,6 %), seguida da classe B (15,8 %) e apenas 112 foram incluídos na classe A (2,0 %).

Entre as mulheres, 47,7 % já engravidaram, sendo que dessas, 63,4 % tiveram um filho e 35,4 % tiveram 2 ou mais. A idade média para a primeira gestação foi de 17,1 anos. Somente cerca da metade dos indivíduos (51,5 %) referiram usar camisinha rotineiramente e, apenas 41,1 % fizeram uso na última relação sexual. O comportamento sexual de risco foi observado em 83,4 % dos entrevistados, sendo que a média de parceiros sexuais no último ano foi de 2,2 e a média de parceiros nos últimos 5 anos de 7,5.

Fonte: O Globo

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