APCD - Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas

Estudo descobre ligação entre bactérias bucais e AVC

Pesquisadores examinaram presença ou não da proteína Cnm de superfície de colágeno de ligação expressa em cnm-positivo S Mutans na saliva de 279 pacientes

Micro sangramentos cerebrais (Cerebral microbleeds/CMBs) têm chamado a atenção como um importante marcador preditivo de acidente vascular cerebral em vários estudos. Uma pesquisa feita em Kyoto, no Japão, sugere ainda que a Streptococcus mutans, um tipo de bactéria bucal associada à cárie dentária, esteja envolvida no desenvolvimento dos micro sangramentos.

Buscando esclarecimentos sobre a conexão, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Medicina de Kyoto descobriu agora que a S. mutans positiva é um novo fator de comprometimento cognitivo associado aos CMBs e, portanto, pode estar associada a distúrbios como acidente vascular cerebral e demência. O estudo, intitulado “Oral cnm-positive Streptococcus mutans expressing collagen binding activity is a risk factor for cerebral microbleeds and cognitive impairment“, foi publicado na revista Scientific Reports.

Com o objetivo de compreender o significado clínico dos CMBs e os mecanismos de sua produção, os pesquisadores examinaram a presença ou não da proteína Cnm de superfície de colágeno de ligação expressa em cnm-positivo S Mutans na saliva de 279 pacientes (idade média de 70 anos). Além disso, avaliaram a função cognitiva, o estado de saúde dentária e a prevalência de CMB de cada um. O exame oral incluiu o número de dentes remanescentes, a presença ou ausência de cárie dentária e o estado periodontal dos participantes.

No grupo de estudo, 94% dos testes deram positivo para S. mutans, 33% de S. mutans positivo para cnm e 25% mostraram atividade de ligação ao colágeno associada a S. mutans. A ressonância magnética do cérebro detectou CMBs em 73 participantes (26%). Quanto ao exame odontológico, 31% dos participantes tiveram cárie dentária e 28% obtiveram um Código 3 ou superior no Índice Periodontal Comunitário de Necessidades de Tratamento. O número médio de dentes remanescentes foi de 22,7 ± 7,5.

As análises mostraram que o S. mutans cnm-positivo foi detectado frequente entre os participantes com CMBs do que aqueles sem. Além disso, foi observado que a porcentagem de pacientes com cárie dentária foi significativamente maior no grupo com atividade de ligação ao colágeno.

Segundo os pesquisadores, os achados sugerem um mecanismo molecular para a interação entre infecções bucais crônicas e distúrbios geriátricos, como acidente vascular cerebral e comprometimento cognitivo. A fim de esclarecer a causalidade, enfatizaram que um estudo de intervenção focado em cuidados bucais e microbiota em indivíduos CMB seria interessante. Como os dados atuais suportam a ideia da importante influência da microbiota bucal sobre a doença neurológica, eles também pediram uma melhor colaboração entre pesquisadores dentais e médicos.

Fonte: Dental Press

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