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Estomatologia: a saúde pela cavidade bucal - Portal APCD
APCD - Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas

Estomatologia: a saúde pela cavidade bucal

Apesar de cuidar de uma topografia tão específica como a boca, o estomatologista precisa ter em vista o contexto geral da saúde do indivíduo

A Estomatologia foi reconhecida e regulamentada como especialidade odontológica pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) em 1992 por meio da Resolução nº181. A propulsão da área no Brasil, no entanto, se deu muito antes disso.

Em 1969, a Associação Brasileira de Ensino Odontológico (Abeno) e a W.K. Kellogg patrocinaram um curso de "Diagnóstico Bucal - Medicina Bucal" para professores universitários que iriam iniciar o ensino dessa disciplina no Brasil, sendo as aulas teóricas desenvolvidas na Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (Fousp) e as aulas práticas no Hospital A.C. Camargo.

De acordo com o estomatologista, Artur Cerri, que é Coordenador Acadêmico e de Pós Graduação
Lato Sensu e Extensão da Faculdade de Odontologia da APCD, foi o professor Antonio Fernando Tommasi que criou a disciplina de Semiologia. “Era início da década de 1970, e o professor Tommasi juntamente com os professores Décio Santos Pinto, Gilberto Marcucci, Wolnei Garrafa, Narciso Grein, Abel Silveira Cardoso, entre outros criaram a disciplina de Semiologia na Fousp. Ela foi instituída para suprir uma lacuna na área de atuação do Cirurgião-Dentista, que seria prevenir, diagnosticar e eventualmente tratar as doenças bucais e do complexo maxilomandibular, bem como as doenças sistêmicas com manifestação bucal, com base na valorização dos sinais e sintomas das doenças. No entanto, o termo semiologia não era considerado apropriado, por se referir ao estudo dos sinais e sintomas das doenças. Havia a necessidade de uma terminologia mais adequada para refletir a importância da especialidade. Nesse sentido, vários títulos foram acrescidos como Diagnóstico Bucal, Patologia Bucal, Medicina Bucal, Doenças da Boca etc. Algumas dessas terminologias eram oriundas de livros estrangeiros e são utilizadas até os dias de hoje. Posteriormente foi criado o termo Estomatologia (que vem do grego stómato, boca, e logos, estudos), que acabou sendo consagrado e reconhecido pelo CFO como especialidade”.

A disciplina ainda foi ganhando espaço graças à instituição de entidades representativas como a Sociedade Brasileira de Estomatologia (Sobe), criada em 1974, e atualmente chamada de Sobep.

O ex-presidente da Sociedade Brasileira de Estomatologia e Patologia Oral (Sobep), Cassius Carvalho Torres-Pereira, professor da Universidade Federal do Paraná, afirma que ao longo de 41 anos, a entidade tem sido uma interlocutora ativa em todas as questões pertinentes à área. “Nosso trabalho é para que as especialidades de Estomatologia e de Patologia Oral sejam cada vez mais fortes e úteis para a população”.

A importância da especialidade e a atuação do estomatologista

O ex-presidente da Sobep, Cassius, enfatiza que “a Estomatologia é abrangente e requer profissionais com muita capacidade de observação e apurado senso clínico. O estomatologista é um especialista que, a despeito de trabalhar em uma topografia tão específica como a boca, não pode perder de vista o contexto geral de saúde do indivíduo. Estas características, desde a graduação, contribuem de maneira decisiva no perfil do profissional graduado em Odontologia. Funcionam como um lembrete do alcance e das possibilidades de atuação do odontólogo. Trata-se da especialidade que melhor faz a interface entre a Odontologia e a Clínica Médica.”

Compartilha da opinião, o mestre e doutor em Diagnóstico Bucal/Estomatologia pela USP, professor titular de Diagnóstico Bucal/Estomatologia da Unilus e estomatologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Francisco Octávio Teixeira Pacca. “A Estomatologia tem como responsabilidade o diagnóstico e o tratamento das doenças da boca e do complexo maxilomandibular. Várias doenças sistêmicas possuem manifestações bucais, portanto o estomatologista deve estar preparado tanto para a solicitação como para a interpretação de exames complementares que eventualmente sejam necessários no diagnóstico de uma alteração patológica. A Estomatologia é uma das principais especialidades odontológicas de ligação com as especialidades médicas, pois os conhecimentos na elaboração do diagnóstico e as habilidades para o tratamento exigem dos profissionais, dedicação ao estudo continuado e sincronia com os protocolos dos principais hospitais e centros de referência de saúde. Em diversos países do mundo, a Estomatologia é chamada de Medicina Oral”, lembra.

Questionado sobre os principais campos de atuação de um estomatologista, Artur Cerri, enfatiza que o crescimento e evolução da Estomatologia fizeram com que os especialistas tenham sua área de atuação ampliada em diversos setores como docência, hospitais, ambulatórios públicos e privados e outras possibilidades. “Até, por isso, o especialista tem que se manter em constante atualização, pois deve conhecer a doenças sistêmicas que estão relacionadas à cavidade bucal”.

Cassius concorda que, “apesar de ser frequentemente reconhecida como uma especialidade de maior vinculação acadêmica, onde a Estomatologia tem um espaço consolidado tanto na pesquisa como na atenção clínica, o especialista tem uma ampla área a ser explorada como o profissional de referência para o diagnóstico e tratamento das doenças da boca tanto no setor privado quanto no setor público.  O campo de atuação é fortemente clínico e está presente desde a atenção primária até a alta complexidade. Nesta, chama atenção o movimento de reconhecimento crescente da necessidade dos Cirurgiões-Dentistas integrarem as equipes multiprofissionais hospitalares. Já na atenção secundária destacam-se as ações de expansão dos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO´s) onde os estomatologistas são peças chave da política nacional de saúde bucal”.

Ainda em relação às áreas onde a participação dos especialistas em Estomatologia pode de expandir, o ex-presidente da SOBEP pontua algumas tendências:

* o envelhecimento da população brasileira e a maior sobrevida dos indivíduos portadores de doenças crônicas, tais como os pacientes oncológicos, aumentará a demanda por profissionais com capacidade de contextualizar a atenção odontológica em pacientes com histórico médico complexo;

* o declínio da cárie no Brasil, repetindo o fenômeno que também se observa em países mais desenvolvidos, promoverá uma gradativa reorientação do ensino odontológico para as especialidades menos dependentes deste agravo;

* na saúde suplementar se observa a inclusão de um maior número de  procedimentos estomatológicos no rol de procedimentos mínimos dos planos odontológicos o que aumenta o número de usuários que podem se beneficiar da especialidade;

* a Odontologia em ambiente hospitalar promete ser um importante mercado para as especialidades odontológicas e dentre elas o estomatologista tem uma maior familiaridade com este espaço de trabalho; e

* a expansão da atenção de média complexidade representada por unidades tais como os centros de especialidade odontológica que, por lei, obrigatoriamente devem realizar tratamento de doenças da boca e prevenção do câncer bucal.

Existem hoje 873 especialistas em Estomatologia inscritos no CFO, sendo 291 no Estado de São Paulo.

Principais contribuições recentes da área

O Diagnóstico Bucal/Estomatologia da Unilus, Francisco Pacca acredita que, atualmente a grande contribuição da especialidade é a presença de estomatologistas dentro dos principais hospitais brasileiros. “Contribuindo, por exemplo, no manejo de pacientes oncológicos, no desenvolvendo de protocolos e condutas ao paciente internado de maneira geral, como também no atendimento e acompanhamento pós-alta destes pacientes”.

Artur Cerri salienta que a Estomatologia pode contribuir em diversos aspectos já que seu objetivo é a prevenção, o diagnóstico e eventualmente o tratamento das doenças próprias da boca e das doenças sistêmicas com manifestação na cavidade bucal. Mas destaca, particularmente, a prevenção e o diagnóstico do câncer bucal. “Doença que compromete milhares de pessoas todos os anos”.

Para o ex-presidente da Sobep, Cassius Torres-Pereira, a área é muito profícua e tem forte tradição de produção de conhecimento. “O Brasil tem grupos de pesquisa de referência mundial e que estão constantemente apresentando novidades na compreensão das doenças da boca, seu diagnóstico e tratamento. Estes avanços têm sido identificados desde a ciência básica, com a pesquisa incessante sobre possíveis marcadores para o diagnóstico precoce para do câncer da boca, até a melhor compreensão sobre a epidemiologia e o peso dos principais fatores de risco desta doença”.

Desafios e próximos passos

O grande desafio da Estomatologia, na visão de Artur Cerri, é fazer com que os Cirurgiões-Dentistas conheçam a especialidade como sendo uma prerrogativa da Odontologia. “Hoje muitos profissionais acreditam que as doenças bucais sejam do conhecimento específico do médico. A especialidade, apesar de consagrada ainda é pouco procurada pelos Cirurgiões-Dentistas. Basta verificar a quantidade de especialistas na área. Outro aspecto importante e relevante a se comentar é fazer com que a realização de biopsia, não fique restrita a uma determinada especialidade. É um dever e obrigação de todos indistintamente. As especialidades médicas afins como Otorrinolaringologia e Dermatologia, por exemplo, devem andar juntas a Estomatologia, para proporcionar um diagnóstico mais seguro para o paciente, ainda que tenha havido um grande progresso nesse sentido. Talvez as novas gerações de especialista consigam uma multidisciplinaridade mais concreta”.

Francisco Pacca acrescenta outro desafio a ser superado: “o reconhecimento da importância e da necessidade do estomatologista em todos os centros de saúde não só nos grandes hospitais”.

Do ponto de vista político, Cassius Torres-Pereira aponta que “a especialidade merece maior atenção e investimento quando consideramos o impacto que a presença dos estomatologistas pode trazer na resolutividade dos sistemas de saúde. Embora o governo federal tenha dado atenção inédita à nossa especialidade nos últimos anos, a maior parte das secretarias estaduais e, principalmente, secretarias municipais de saúde ainda precisa articular e fomentar ações locais que, como sabemos, é onde está o usuário e onde a ação diagnóstica e curativa acontece. Além da cobrança em relação ao poder público, sempre presente, precisamos sensibilizar as nossas entidades para que avancem para além da proposição de ações episódicas, pontuais e voluntariosas e passem a agir com racionalidade e longitudinalidade na prevenção e tratamento das doenças da boca e em particular do câncer bucal. Precisamos que elas nos ajudem, como a APCD fez neste espaço, para tornar a Estomatologia cada vez mais conhecida. Na pós-graduação a Estomatologia precisa encontrar alternativas para o reconhecimento de especialistas tais como aqueles egressos das residências multiprofissionais.  Já no ensino de graduação é preciso garantir que este seja direcionado ao treinamento do generalista. Que ele seja capaz de reconhecer e tratar as doenças mais frequentes da boca e a diagnosticar precocemente as condições graves com manifestação bucal”, finaliza.

Da Redação

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