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Cárie dentária: origem multifatorial com componente genético? - Portal APCD
APCD - Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas

Cárie dentária: origem multifatorial com componente genético?

Avaliada por meio de biomarcadores, pesquisa indica que propensão da doença está relacionada a variações genéticas

A cárie dentária tem sido ao longo dos anos a patologia oral com maior responsabilidade na perda de estrutura dentária. O aumento das medidas preventivas e a conscientização para a promoção da saúde oral facilitaram a diminuição notória da sua prevalência. Apesar do declínio significante da doença nas últimas três décadas, a cárie continua afetando milhões de pessoas no mundo. A literatura ressalta que novas pesquisas devam focar sim, nos aspectos genéticos, assim como os multifatoriais da etiologia. Afinal, os levantamentos epidemiológicos sobre a cárie têm merecido considerações e investigações em nível universal, dada a importância que as pesquisas deste cunho têm com referência a implantação de sistemas de prevenção e tratamento.

Com isso, relacionada com a ingestão exagerada de produtos açucarados e também uma higiene bucal deficiente, a ciência vem mostrando que as causas da doença são mais complexas. A Cirurgiã-Dentista, pesquisadora e professora do Programa de Pós-Graduação em Odontopediatria da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP, Erika Calvano Kuchler, investigou marcadores genéticos específicos do DNA - que mostram as diferenças entre duas ou mais pessoas ou organismos da população brasileira - para avaliar se a propensão à doença está relacionada à genética. 

A pesquisa, que faz parte do projeto Jovem Pesquisador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e publicada na revista Caries Research e na Archives of Oral Biology, é uma sequência de outro estudo com o gene DEFB1 que foi desenvolvida em parceria entre a USP e a Universidade Federal Fluminense (UFF) e teve diversos pesquisadores envolvidos, e já tinha sido avaliado como possível biomarcador genético para a cárie dentária em adultos dos Estados Unidos e crianças da Letônia. No Brasil, além desse gene, o microRNA202 foi escolhido para o teste pelo fato de ambos apresentarem uma interação.

Com o propósito de identificar a possibilidade de que a variação em microRNAs (pequenos RNAs conservados ao longo da evolução e que regulam a expressão do DNA) pode estar envolvida na suscetibilidade de uma pessoa apresentar cárie dentária, pois há quem sofra com a doença mesmo tendo uma boa higiene bucal, a pesquisadora aponta que o principal objetivo é justamente estudar fatores genéticos que podem estar envolvidos com a prevalência da doença, bem como os fatores genéticos associados à proteção do indivíduo. “Como Odontopediatra, muitas vezes recebi em meu consultório crianças com a higiene oral deficiente e pais relatando alta ingestão de doces. No entanto, essas crianças não tinham histórico de atividade de cárie. Desde então, sempre acreditei nos fatores genéticos que protegem determinados indivíduos dessa doença”, Erika complementa. 

Segundo a Cirurgiã-Dentista, a linha de pesquisa que avalia genes envolvidos na suscetibilidade à cárie dentária vem sendo desenvolvida há uma década pelo grupo de pesquisa. “Com o avanço do projeto genoma humano, diversos pesquisadores começaram a estudar o envolvimento da genética nas doenças e características dos seres humanos, e, obviamente, o número de pesquisadores que estudam aspectos genéticos das condições orais aumentaram tanto no Brasil, como em diversos outros países. Entretanto, poucos grupos de pesquisa, mundialmente falando, tem se envolvido no estudo dos aspectos genéticos do indivíduo e a suscetibilidade à cárie dentária, que é de origem multifatorial e bastante prevalente. Desta forma, pesquisar genes envolvidos nesta patologia surgiu devido à demanda por mais informações sobre o assunto”. 

Para entender se determinados genes estão associados com alguma doença, é preciso avaliar o DNA de cada paciente. Considerando essa perspectiva, Erika destaca que foi realizado nas pesquisas uma anamnese detalhada com os responsáveis e um exame clínico avaliando o risco e atividade de cárie dentária. “Após o exame clínico, coletamos a saliva de cada paciente. Por meio das células que estão descamadas na saliva, extraímos DNA suficiente para a realização dos procedimentos laboratoriais necessários para avaliar o código genético de determinados genes. A partir do resultado do perfil genético de cada paciente, comparamos com o risco e atividade de cárie e se há associação ou não com a doença”, explica. 

Para trabalhar na comprovação da tese, participaram da pesquisa 222 crianças de Ribeirão Preto, 678 do Rio de Janeiro e 90 de Manaus, que tiveram a saliva coletada como fonte de DNA genômico. Logo, com base nesses achados, os resultados preliminares do estudo nessas três populações apresentaram diferenças genéticas entre as crianças para propensão a ter cárie, mostrando que o ambiente em que a criança está inserida pode influenciar na doença, assim como a genética. A pesquisa tem sugerido que alguns genes são biomarcadores para identificar crianças com alto e baixo risco de atividade da cárie. “Dentre os genes avaliados, o gene DEFB1, que codifica a betadefensina (um peptídeo antimicrobiano) e o gene miRNA202, que codifica o microRNA202, tem se apresentado como potenciais biomarcadores no estudo da suscetibilidade à cárie dentária em diferentes populações”, relata a pesquisadora e Cirurgiã-Dentista. Erika observa ainda que “diversos genes envolvidos no sistema imunológico do hospedeiro, na composição da saliva, na formação do esmalte e até mesmo genes relacionados à preferencia alimentar do indivíduo, podem estar associados com a predisposição à cárie dentária, por isso, estudar a etiologia genética desta doença não é uma tarefa simples”. 

Um fator interessante surgiu ao decorrer do estudo. Segundo a pesquisadora, o estudo foi realizado para responder algumas pergunta relacionadas à doença, e ao final, o grupo acabou encontrando poucas respostas e ainda mais perguntas. “Com os achados deste estudo, surgiram questionamentos, como: “o microRNA202 está presente na saliva? Pode ser um biomarcador para cárie dentária? Esses genes podem ser considerados marcadores em populações distintas?” Assim, para responder nossos próprios questionamentos, temos ampliado nosso círculo de colaboradores e diferentes fontes para coleta de amostra. Além da parceria já existente com o grupo de pesquisa da Universidade Federal Fluminense no Estado do Rio de Janeiro, atualmente também trabalhamos com a Universidade Positivo em Curitiba, a Universidade Federal de Alfenas em Minas Gerais e o Instituto Amazônia de Ensino Superior em Manaus. Além disso, parte dos experimentos estão sendo realizados em colaboração com o Laboratório de Biologia Molecular da Universidade Positivo e com o Vieira Lab na Universidade de Pittsburgh (EUA), possibilitando maior compreensão da diversidade populacional”, finaliza. 

Texto Fernanda Carvalho

Foto Acervo pessoal dos pesquisadores

 

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