APCD - Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas

SUS oferecerá medicamento preventivo para HIV

De acordo com o SUS, o investimento inicial será de U$ 1,9 milhão na aquisição de 2,5 milhões de comprimidos, devendo atender a demanda pelo período de um ano e, inicialmente, será implementada em 12 cidades

Durante a Assembleia Mundial de Saúde, realizada em Genebra (Suíça), em 24 de maio, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, divulgou que o Ministério da Saúde (SUS) ofertará medicamentos antirretrovirais para reduzir o risco da infecção pelo HIV antes da exposição ao vírus. De acordo com o ministro, a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) passará a ser distribuída no SUS em até 180 dias após a publicação do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), prevista para o dia 29 de maio de 2017.

De acordo com o SUS, o investimento inicial será de U$ 1,9 milhão na aquisição de 2,5 milhões de comprimidos, devendo atender a demanda pelo período de um ano. Inicialmente, será implementada em 12 cidades. São elas: Porto Alegre; Curitiba; São Paulo; Rio de Janeiro; Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Manaus, Brasília, Florianópolis, Salvador e Ribeirão Preto.
A PrEP consiste na utilização do antirretroviral (truvada) antes da exposição ao vírus, em pessoas não infectadas pelo HIV e que mantêm relações de risco com maior frequência. “O Brasil, mais uma vez, sai como um dos pioneiros na prevenção e tratamento do HIV”, afirmou o ministro Ricardo Barros, durante entrevista coletiva.

A incorporação do truvada (tenofovir associado à entricitabina) foi recomendada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), após consulta pública realizada para obter informações, opiniões e críticas de pesquisadores e outros setores da sociedade. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda, desde 2012, a oferta de PrEP para casais soro diferentes, gays; profissionais do sexo e pessoas transgêneros, consideradas populações-chaves.

Somente no primeiro ano de implantação, a estimativa é que a PrEP seja utilizada por 7 mil brasileiros que já fazem parte das populações-chave.
O critério pré-estabelecido pera a indicação do PrEP será a avaliação da vulnerabilidade do paciente, de acordo com comportamento sexual e outros contextos de vida. Está análise deverá ser feita pelos profissionais de saúde. “Uma série de critérios deve ser levados em conta antes da indicação da PrEP, como o número de parceiros sexuais, os outros métodos de prevenção utilizados, o compromisso com a adesão ao medicamento, entre outros”, destacou a diretora do Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken.

Boletim Epidemiológico -  As taxas demonstram que a prevalência de HIV mais elevadas nestes subgrupos populacionais, quando comparadas às taxas observadas na população geral. Enquanto a prevalência na população geral é de 0,4%, nas mulheres profissionais de sexo é de 4,9%. Entre pessoas que usam drogas (exceto álcool e maconha) é de 5,9% e entre gays a taxa de prevalência por HIV é de 10,5%.

Tempo de pré-exposição - A PrEP é de uso contínuo, ou seja, o usuário precisa tomar o comprimido diariamente para ficar protegido do HIV, sendo que a proteção se inicia a partir do 7º dia para exposição por relação anal e a partir do 20º dia para exposição por relação vaginal. Destaca-se que a PrEP só será indicada após testagem do paciente para HIV, uma vez que ela é contraindicada para pessoas já infectadas pelo vírus. Nesses casos, a PrEP pode causar resistência ao tratamento. Por essa razão, as pessoas que já vivem com o vírus não serão submetidas à profilaxia, e sim encaminhadas para tratamento imediato.

HIV NO BRASIL – De acordo último boletim do Ministério da Saúde, 827 mil pessoas vivem com HIV/aids no país atualmente. Desse total, 372 ainda não estão em tratamento, sendo que 260 já sabem que estão infectadas e 112 mil pessoas não sabem que têm o vírus. A aids no Brasil é considerada estabilizada, com taxa de detecção em torno de 19,1 casos a cada 100 mil habitantes. Isso representa cerca de 40 mil casos novos ao ano. Desde o surgimento da aids, o país vem tomando posição de vanguarda na oferta de tratamento e assistência às pessoas que vivem com HIV/aids, no âmbito do SUS. O Brasil foi um dos primeiros países do mundo a oferecer o acesso ao tratamento de forma integral e universal desde meados dos anos 1990. Em 2013, o Ministério da Saúde implantou Novo Protocolo Clínico de Tratamento de Adultos com HIV e aids, que disponibiliza a medicação para todos com HIV. Antes, o protocolo previa o tratamento apenas quando a infecção pelo vírus atingia um estágio que já era considerado caso de aids. De janeiro a outubro do ano passado, 34 mil novas pessoas com HIV e aids entraram em tratamento pelo SUS. Atualmente, são 498 mil pessoas em tratamento (dados de dezembro de 2016).

Fonte: Ministério da Saúde

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