APCD - Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas

Saúde oral: Caçadores-Coletores X Agrícolas

Pesquisa sugere como a saúde oral pode ser influenciada pelo gênero e lugar de residência

Para entender o reflexo oral da transição da humanidade de caçadores-coletores para consumidores de produtos agrícolas, a equipe de pesquisadores da Universidade de Nevada, Las Vegas (UNLV) e da Universidade do Arkansas estuda sobre a tribo Hadza da Tanzânia, uma das únicas tribos existentes com membros que ainda levam um estilo de vida caçadores-coletores, para medir as diferenças na saúde bucal dos seus membros.

Objetiva-se entender como, este período de transição, influenciou na vida oral da tribo que, àquela época, sofrera com cárie dentária e doença periodontal generalizada e ainda sugerir como a saúde oral pode ser influenciada pelo gênero e lugar de residência.

Sabe-se que muitos membros da Hadza agora adotaram dietas agrícolas, deste modo, era de se esperar que os caçadores-coletores tivessem  - em geral - dentes mais saudáveis, mas as conclusões da equipe demonstraram ao contrário, que a saúde oral global da Hadza é influenciada por fatores mais complexos do que apenas escolhas alimentares. "A transição da caça e coleta para a agricultura é rotineiramente associada com quedas em saúde oral, devido ao aumento do consumo de carboidratos e o crescimento de colônias de bactérias na placa dentária ligados ao desenvolvimento de cáries," explicou o Peter Ungar, ilustríssimo professor de Antropologia na Universidade do Arkansas.

Aí pergutamos, mas como? As conclusões vieram de encontro com a fala de Peter Ungar.
Vamos para alguns resultados: os estudos concluíram  que os membros do sexo masculino Hadza, que vivem na mata e subsistem de alimentos forrageiros (folhagens), por exemplo, tendem a sofrer de pior saúde dental do que seus homólogos habitantes das aldeias, pois muitas vezes eles fumavam mais tabaco e utilizavam os seus dentes no processo de fabricação de ferramentas de caça. Membros Hadza fêmeas residentes na aldeia, contudo, sofrem de mais problemas de saúde oral do que aqueles que vivem na mata.

"Os Hadza nos oferecem uma janela para o passado e desafiam o predominante pressuposto de que forrageiras foram mais saudáveis antes deles mudaram para uma dieta agrícola à base de cereais como milho e trigo", pormenorizou a Dra. Alyssa Crittenden, Lincy Assistant Professor of Anthropology na UNLV. Ressaltando ainda "os pressupostos que temos há muito tempo sobre a saúde oral e a transição de um comportamento de forrageio para uma dieta agrícola não são tão claros como se pensava". A equipe de pesquisadores está agora com o objetivo de continuar estudando a integridade geral da Hadza, já que eles se movem no sentido de uma dieta completamente agrícola. 

Vamos acompanhar!

Fonte: Dental Tribune International

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