APCD - Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas

Câmara de Santos aprova projeto que institui a Odontologia hospitalar

De autoria do vereador Braz Antunes, o PL será encaminhado para sanção do prefeito Paulo Alexandre Barbosa

A Câmara de Santos aprovou no dia 20 de agosto, em segunda discussão, o Projeto de Lei nº 192/2017 que estabelece a obrigatoriedade da prestação de Assistência Odontológica a pacientes internados em hospitais públicos e privados da cidade. De autoria do vereador Braz Antunes, o projeto deverá ser sancionado pelo prefeito da cidade de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, para se tornar Lei.

Estudos – e mesmo a prática hospitalar – revelam que a presença do Cirurgião-Dentista na equipe de atendimento ao paciente internado contribui para a redução do risco de infecção, do tempo de internação e da quantidade de prescrição de medicamentos, além de melhorar a qualidade de vida de quem está acamado. “Os gestores precisam entender que é investimento, e não gasto”, defende Braz.

Segundo o parlamentar, que é Cirurgião-Dentista, após 48 horas numa UTI, a pessoa sofre a ameaça de micro-organismos que podem gerar pneumonia nosocomial e outras doenças, agravando um quadro que já inspira cuidados. Esse tipo de pneumonia (assim como outras infecções) é provocado principalmente por bactérias colonizadoras e oportunistas da cavidade bucal. “Além do mais, há correlação direta entre as condições bucais e danos à válvula cardíaca, tanto que a endocardite bacteriana é responsável por um grande número de vítimas fatais. Em hospitais onde há a presença de Cirurgiões-Dentistas, no entanto, o número de óbitos por infecção é muito baixo”.

Em 2011, o jogador de basquete Laurence Scott Young morreu, aos 30 anos, vítima de uma endocardite bacteriana. Young atuava no time do Internacional/Santos na época. O fato motivou a Lei nº 2872, de 26 de novembro de 2012, que inclui, entre as obrigações dos atletas adotados no Município, a apresentação anual de declaração oficial a respeito da saúde bucal, devidamente atestada.

“Diversas doenças que acometem os dentes e as gengivas propiciam o surgimento de infecções bacterianas digestivas e respiratórias. Se essas bactérias chegarem à corrente sanguínea, há risco até de ocorrer infecção generalizada (sepse)”, reforça Braz.

A presença do Cirurgião-Dentista e equipe auxiliar no hospital também colabora com a redução do tempo de internação. São de 7 a 13 dias a menos. Hospitais de renome, como o Instituto do Coração (Incor), contam com Cirurgiões-Dentistas permanentemente, não só nas UTIs como no trabalho de assistência a pacientes. Outro exemplo é o Hospital Regional de Ceilândia, em Brasília, que, com a medida, alcançou e mantém índice zero de pneumonia associada à ventilação mecânica em sua UTI. “O modelo é tão bem-sucedido que está sendo reproduzido por outras unidades. E Santos também pode servir de exemplo não só para as demais cidades da Baixada Santista, como para todo o estado e mesmo para o país”.

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