APCD - Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas

Pesquisa relaciona gengivite com dificuldade de engravidar

Todas as engrenagens do organismo devem estar bem cuidadas e isso inclui a saúde bucal

Uma pesquisa apresentada no encontro anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana, em 2016, mostrou que mulheres com doenças periodontais demoravam cerca de dois meses a mais para engravidar do que as que tinham a gengiva saudável.

A explicação, segundo a ginecologista Camila Cambiaghi, do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia, é que a doença periodontal é uma infecção e inflamação na gengiva e nos tecidos ao redor do dente, causada pelo acúmulo de placa bacteriana não removida periodicamente. “Quando o organismo reconhece a presença das bactérias, nosso sistema imune é ativado pela atuação das nossas células de defesa e liberação de citoquinas inflamatórias, proteínas importantes no controle da resposta imune. Essas citoquinas podem cair na corrente sanguínea e se disseminar por todo o organismo, podendo, sim, levar uma dificuldade na concepção”, diz.

Fabia Vilarino, coordenadora do Ambulatório de Endometriose e de Doação de Gametas do Instituto Ideia Fértil, conta que uma pesquisa avaliou o endométrio (a camada interna do útero, responsável pela implantação do embrião) de mulheres que teriam periodontite crônica e identificou alterações importantes que seriam responsáveis por uma maior dificuldade para engravidar. “Mas é válido ressaltar que a infertilidade pode ser multifatorial, ou seja, pode haver mais de uma causa para a dificuldade de engravidar”, complementa Fabia.

A partir do momento em que a mulher planeja engravidar, deve se preparar, com consultas em seu médico obstetra e também prestando atenção na sua saúde bucal, realizando a higiene correta e tendo acompanhamento de rotina com o Cirurgião-Dentista.  “É importante que mulheres que já estejam com a gengivite instalada recebam o tratamento pelo Cirurgião-Dentista antes de engravidar”, afirma Camila. “As visitas regulares e uma boa higiene oral podem evitar a influência sobre a fertilidade”, completa Fabia.

Na gestação 

Ao contrário do que se imagina, a gestação é apenas um fator modificador da doença periodontal e não um causador. “Devido a alterações hormonais, ocorre uma maior vascularização gengival durante a gestação. A gengiva fica mais suscetível, no entanto, o que causa a inflamação é a placa bacteriana, e não a gravidez”, diz Thais Paragis Sanchez, Cirurgiã-Dentista do Instituto Israelita de Responsabilidade Social.

Isso significa que, devido aos hormônios, as inflamações gengivais podem ser exacerbadas nas gestantes. Nessa fase, há mudanças nos hábitos alimentares – dieta mais rica em carboidratos e a ingestão de alimentos em intervalos menores – e, principalmente, mais formação da placa bacteriana sobre os dentes. A gestante muitas vezes não realiza a escovação da forma adequada, porque a escova e ou a pasta de dentes induzem ao enjoo, e essa deficiência na higiene oral provoca o maior acúmulo da placa sobre os dentes. “Entretanto, se forem realizados acompanhamento profissional e boa higiene oral, elas não terão quaisquer problemas de origem odontológica nesse período”, afirma a especialista.

Fonte: Dental Press

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